Pintura de paisagem nunca foi o meu forte e por não gostar tanto acabei não praticando muito durante a vida, mas para acompanhar o quarto Haikai foi necessário que eu fizesse um esforço neste sentido, abaixo seguem os resultados. Tentei ainda fazer com que a pedra parecesse estar triste ou entediada, o que se mostrou bem difícil de passar da teoria para a prática.




Solidão

A pedra fina
a impor-se sozinha
sob a sombra fria.
Apresento aqui o terceiro Haikai dos cinco produzidos em aula, seguido de mais uma ilustração digital. Por enquanto esta é a Ilustração que mais me agradou, conforme a prática no software aumenta, mais solto o desenho tem ficado.




Descalça

Sobre a grama
repousa sem coragem
a primavera.
Seguindo a proposta de experimentar sempre, o segundo Haikai traz uma ilustração em que resolvi deixar as marcas de rascunho, assimetria e usar um Brush do Painter que provavelmente eu não usaria numa ilustração comum, o resultado ficou bem diferente. O Haikai é o segundo de cinco produzidos em aula.



Calor

Sol na Janela
Não espanta o frio
da alma dela.
Haikai é um tipo de poema, criado no Japão onde se valoriza a concisão de ideias, deve ser criado dentro de um padrão, seguindo a métrica de cinco sílabas na primeira linha, sete na segunda e cinco novamente na terceira. No ocidente existem outras características métricas como rimas e número diferente de sílabas por linha, segui mais ou menos o padrão japonês e vez ou outra uma rima. Como a proposta da disciplina é a experimentação, meus Haikais serão acompanhados de uma ilustração, feita digitalmente (campo que eu não domino e por isso experimental por natureza). Haikai é o "menos é mais" em forma de poesia.


Setembro

Uivo, um canto
estação de fina voz
choro sem pranto.

O terceiro exercício sobre Storyline seria a criação de uma Web Série, cada episodio foi narrado em uma média de cinco linhas, contendo apenas a ideia principal do mesmo. E este foi o resultado:

Projeto de Web Série


Este é um projeto de uma Web Série que conta a história de Pedro, um estudante de Design e suas lutas e dificuldades dentro da universidade. Cada episódio teria uma duração média de cinco minutos. Os episódios mostram um conflito e a solução do mesmo dentro do tempo do episódio, sem episódios continuados. A série é voltada ao público jovem e estudantes de comunicação.

  

Ser Designer?


Episódio 1


Colegas


Pedro o novo aluno de design sai de casa para seu primeiro dia de aula. Conhece pelos corredores da faculdade e na cantina alguns alunos bem estranhos sem que soubesse ainda que estes seriam seus colegas de classe. Fica surpreso e em choque ao vê-los na classe quando entra. Pensa consigo mesmo se fez certo ao entrar neste curso. Quando o professor anuncia um trabalho em dupla o episódio acaba.

Episódio 2

           

Equilíbrio


            Pedro já acostumado com a estranheza causada por seus colegas de classe decide ser um equilíbrio das características que ele julgou essencial para ser um designer. Vai se desenvolvendo na tela a execução de vários trabalhos mostrando estas características, Timelapses para paciência, ToyArts para acabamento, Pinturas para percepção etc. O episódio acaba com um trabalho de StreetArt e ele correndo da polícia por executar uma ideia que vai contra as leis “esse foi meu trabalho para desenvolver os músculos da perna...”

Episódio 3


Procrastinação

Pedro trabalha num restaurante para poder pagar a faculdade. Depois vai estudar e cansado chega em casa já perto da meia noite. Olha na agenda e vê um trabalho marcado para vinte dias, resolve deixar pra depois porque é muito fácil, dia após dia ele vai adiando alguns trabalhos, por causa de futebol, facebook, etc... No final do semestre ele é obrigado a fazer tudo correndo e entrega os trabalhos mal acabados e aos pedaços... após ver suas notas percebe que vai precisar virar algumas noites fazendo seus trabalhos se quiser ser designer.

Episódio 4


Chances


                Pedro precisa arranjar um emprego na área, prepara um portfólio ingênuo que espanta os empregadores, após algumas dicas de um professor, arruma o portfólio e vai novamente para as entrevistas, o episódio segue entre os erros e acertos até que Pedro consegue um estágio. O episódio acaba com Pedro fazendo café na agencia, um colega ao perceber a insatisfação sussurra perto dele “também comecei fazendo café...bons tempos” Pedro percebe então que crescer era questão de tempo e esforço.

Episódio 5


Respira

                Pedro já mais empenhando e maduro luta agora pelo seu TCC, o episódio segue entre as lutas diárias de trabalhar, estudar, ônibus lotado, namorar, comer correndo, dormir pouco, pesquisar, ler e anotar... de repente tudo começa a dar errado e Pedro pensa em desistir. Desanimado num café , Pedro se debruça sobre a mesa, um famoso designer passava e nota o sketchbook que Pedro derrubou, após uma rápida olhada ele elogia e deseja boa sorte... Pedro se lembra de como é fazer algo por amor, vai pra casa terminar o TCC e o episódio acaba com ele entrando no auditório para defende-lo.
Apresento agora o segundo texto criado dentro dos exercícios usando Storyline, este conta também com um roteiro simples, a ideia era criar um comercial que usasse um produto e uma outra referência qualquer, fosse literária, cinematográfica etc. Escolhi usar as sandálias/chinelos Havaianas e as referências de "O Senhor dos Anéis". Segue abaixo o resultado.

Roteiro de Comercial com Storyline.

Storyline 


Antes de Seguir viagem até Mordor, quatro Hobbits entram em uma loja de calçados e optam por comprar outro chinelo que não um par de Havaianas. No meio da viagem os chinelos arrebentam e os Hobbits seguem o restante da viagem descalços.


Roteiro



Sequência 1
·         Cena 1-1
Primeiro plano
Ø  Vendedor no balcão
- Pois não!
·         Cena 1-2
Plano conjunto
Ø  Quatro hobbits
- Queremos quatro pares de chinelo.
·         Cena 1-3
Primeiro plano
Ø  Vendedor no balcão
- Temos essa nova coleção de Havaianas
·         Cena 1-4
Plano detalhe – Par de Havaianas
Ø  Vendedor no balcão
-Muito confortáveis e duráveis.
·         Cena 1-5
Plano conjunto – Quatro hobbits
Ø  Hobbit 1
- Ahnn, pode ser um chinelo mais barato, não precisa ser Havaianas.
Ø  Hobbit 2
- Tem certeza, cara?
Ø  Hobbit 1
- Tenho sim, Mordor é aqui do lado.
·         Cena 1-6
Primeiro plano – vendedor desanimado apresenta outro par de chinelo
Ø  Vendedor
-Bom... Temos este outro.

Sequência 2
·         Cena 2-1
Plano geral – Comitiva do Anel caminhando pelas montanhas
Ø  Musica épica
·         Cena 2-2
Plano detalhe – Quatro pares de chinelo arrebentados
Ø  Musica épica em fade out
·         Cena 2-3
Plano detalhe – pés peludos e descalços pisando dificultosamente nas pedras
Ø  Pequenos gemidos
·         Cena 2-4
Plano conjunto – Hobbits caminhando dificultosamente nas pedras enquanto Gandalf observa.
Ø  Hobbit 2
- Eu sabia que deveríamos ter comprado Havaianas!
Ø  Hobbit 1
- Não enche...
·         Cena 2-5
Primeiro plano – Gandalf balança a cabeça em desaprovação
Ø  Slogan
- Havaianas ! Havaianas!
·         Cena 2-6
Logotipo da empresa.
Storyline é a maneira de sintetizar uma ideia em poucas linhas, em uma média de cinco linhas deve-se passar as informações básicas sobre a história. Foram executados mais de um exercício sobre este tipo de linguagem textual e aqui apresento-os o primeiro. O objetivo neste exercício era misturar varias referências em uma nova história e praticar a intertextualidade como processo criativo. Antes de cada Storyline seguem as referências usadas em cada história.


Storyline


Biblia – Che – O corvo


Jesus era um jovem carpinteiro revolucionário, cheio de ideias para mudar o mundo. Foi perseguido e traído por um de seus doze lideres escolhidos para fazer valer a lei do mais forte. Capturado e crucificado, recebe poderes divinos para executar sua vingança; caçando um a um, deu fim a seus executores.

Magico de Oz – Os imperdoáveis


Doroty havia sido sequestrada por um leão, um homem de lata e o líder da gangue, um espantalho. O poderoso magico de Oz de outrora, hoje um senhor aposentado, foi contratado para “dar cabo” da gangue, Venceu uma a um, cada oponente em seu campo até derrotar definitivamente o espantalho em um de seus jogos.

Tarzan – Batman


Criado por chipanzés após um acidente de avião na Africa, que eliminou sua família, Tarzan cresce atormentado e com seu próprio senso de justiça. Quando mais velho descobre ser dono de uma fortuna e passa a defender os desamparados sob o uniforme de Apeman.

Romeu e Julieta – Cidade dos anjos – Titanic


Um anjo se apaixona por uma mortal, porem em guerra há muito tempo, anjos e mortais não aceitam esta relação. Abrindo mâo da imortalidade o anjo foge com sua amada em um navio, onde vivem seus últimos e melhores dias antes que o navio naufragasse.

Segunda Guerra Mundia – Desenho japonês


Durante a Segunda Guerra Mundial, experimentos com radiação comandados por Hitler criam monstros de tamanho colossal. Visando a proteção do resto do planeta, as forças aliadas criam robôs gigantes, que em determinado momento se unem aos monstros, forçando o fim da guerra e a união dos lados por um objetivo maior, eliminar suas próprias criações.
A proposta deste exercício era criar um necrológio, como se estivéssemos em nosso próprio velório. Optei por um lado mais cômico e o resultado até que ficou interessante.


Necrológio


Rafael Sampei teve uma boa vida, deixará saudades a todos os seus amigos e familiares. Bom, talvez não aos amigos a quem devia dinheiro, pois estes provavelmente sintam mais falta da quantia não paga. Seus familiares também não eram muitos, não tinha mulher ou filhos, a não ser que contemos aquele pequeno bastardo sentado ali à direita; seus avós já faleceram e seu pai fugiu com um dançarino de tango há alguns anos. Pensando melhor agora, talvez seus cães sintam melhor a falta e o vazio que ele deixará, principalmente o vazio de suas tigelas de ração.
Um grande aspirante a designer, teria tido uma magnífica carreira não fosse pelo seu amor a “comic sans”, nem todos conseguiam lidar com isto. As piadas pornográfica escondidas em todos os seus cartazes também não ajudavam e aquela reformulação do “Dollynho” acabaria de vez com sua promissora carreira, mas ele teria sido brilhante com um pouco mais de sorte.
Pelo cheiro de peixe não há como negar que morreu fazendo o que amava... Trabalhando no restaurante. Quem poderia imaginar que aquela lula estivesse viva? Lutou bravamente. Nunca se viu alguém tão habilidosa com facas naquele restaurante, mas a lula não lhe deu chances, oito tentáculos e ambidestra, foi uma luta injusta.
Uma vida a ser lembrada, ainda que eu ache que ele preferia esquecer. Espero que ele tenha pedido desculpas para aquela moça e possa finalmente descansar no paraíso, porque se não pediu o pós vida ainda vai render histórias. Descanse em paz na medida do possível, querido amigo. Só pra constar, fiquei com seu notebook como pagamento pelo grana que emprestei mês passado. 

(Re)Iniciando 


Este blog foi criado como parte dos projetos do segundo semestre do curso de Design da Universidade de Sorocaba. O nome “Colagem Narrativa” vem da proposta deste projeto, que nada mais é do que uma série de produções textuais, visando experimentações narrativas das mais diversas. De roteiros a poesias a disciplina me incentivou a escrever sem censurar a criatividade, desviando dos bloqueios tradicionais que a mente nos prega, ainda que pobres pela falta de pratica, os textos aqui apresentados são um grande passo na maneira de pensar criativamente deste que vos escreve.
Não havia ainda me dado conta do quão importante escrever era, sempre gostei de produzir textos, mas por algum motivo a anos não o fazia de forma regular, percebi pela quantidade de erros bobos em acentuação e concordância que apenas ler não bastava para se produzir um bom texto, escrever era como desenhar, não aperfeiçoamo-nos apenas olhando bons desenhos. E a Miriam (professora da disciplina) atentou para a importância do escrever manualmente, fugindo de corretores ortográficos, das gírias dos chats e da impessoalidade das tipografias que nunca trazem o peso da mão de cada um de nós, nos orientou para que percebêssemos a importância das coisas que somente nossa caligrafia poderia transmitir.  
A maioria dos textos surgiram espontaneamente, sem muitas revisões e correções quanto a narrativa, meu senso crítico, ainda que seja a proposta da disciplina deixa-lo um pouco de lado, me impede de postar todos e escolhi apenas os que julgo apresentáveis. Sempre que possível eles serão acompanhados de uma ilustração feita por mim, digo “sempre que possível” pois a disciplina foi um pontapé inicial nessa área literária e pretendo continuar a atualizar o blog, ainda que a disciplina finalize ao fim do semestre e meus textos não sejam mais avaliados e supervisionados.

Espero que os textos agradem a quem tiver a paciência de ler, pois ainda que escrevamos a nós mesmos, o orgulho e o ego de quem cria algo espera que suas criações ainda sirvam para mais alguém.